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Mostrando postagens de Maio 26, 2013

Brasil não sabe lidar com a violência sem usar a repressão, afirma antropólogo

Por Meghie Rodrigues 27/05/2013 O real debate em torno da redução da maioridade penal vai muito além das argumentações apaixonadas “contra x a favor” que se tem visto na imprensa. Para Roberto Kant, professor de Direito Público da Universidade Federal Fluminense (UFF) e ex vice-presidente da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), a ambivalência “é um jogo de marketing das instâncias repressivas da sociedade”. Ele afirma que o que está em questão é a dificuldade que o Brasil encontra em administrar conflitos de uma forma não-repressiva, “por causa da nossa tradição jurídica e sociológica incrustada no Direito”, que tem por preceito norteador a diretiva de Ruy Barbosa: “tratar desigualmente os desiguais na medida em que se desigualam”.  Para o professor, pode ser que a própria ideia que fazemos do conceito de ‘conflito’ esteja deturpada – o que faz com que seja ainda mais difícil lidar com ele. “Conflitos são uma desarmonia e uma forma de desorganizar a sociedade e por

HOMICÍDIOS DE MULHERES: CENÁRIOS DIVERSOS E COMPLEXOS

Além da violência doméstica, que representa quase metade dos casos de homicídios também em Pernambuco, o sexo feminino está exposto a outros tipos de agressões que entrecruzam gênero, raça e condições sociais e econômicas Ana Paula Portella Pesquisadora e doutoranda em Sociologia, UFPE Desafiar o senso comum não é tarefa das mais fáceis, especialmente quando tratamos de questões que tocam em nossos sentimentos de segurança e risco. A violência é uma dessas questões, cuja possibilidade de irromper na vida de qualquer um de nós nos leva a buscar e a aceitar explicações que, de algum modo, nos ajude a evitar a tragédia. Por si só, a existência de violência na sociedade não significa que essas situações sejam reconhecidas como tal. O processo de nomeação e atribuição de sentido a um ato violento depende de muitos fatores e, muito especialmente, do lugar que vítimas e agressores ocupam na sociedade. Assim, só nas três ou quatro últimas décadas é que as agressões sofridas pelas mulher