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Mostrando postagens de Junho 6, 2010

A questão democrática e o problema da ação coletiva

Por José Maria Nóbrega Jr. – Doutor em Ciência Política UFPE Nos estudos sobre a Teoria Democrática Contemporânea a análise dos grupos e subgrupos de interesse se faz relevante. Numa perspectiva da Escolha Racional, os grupos buscam maximizar seus interesses nas arenas decisórias em um curto espaço de tempo. Numa visão da Democracia como mercado (Przeworski, 1999) os pequenos grupos demandam melhor seus interesses (Olson, 2002). Já na Democracia vista como fórum (Avritzer, 2000) os grandes grupos deliberativos agem melhor (Nóbrega Jr., 2004). Aqui neste espaço, no intuito de discutir a lógica da ação coletiva em democracia, irei focar nos pequenos grupos que buscam defender seus interesses numa perspectiva da Democracia Eleitoral (Schumpeter, 1984; Weber, 1999; Mainwaring et al, 2001). Primeiro, levando ao debate a democracia como mecanismo de escolha dos governantes, ao que me reporto a Schumpeter (1984). Depois, avaliando o papel dos grupos políticos no sistema político eleitoral

O jogo turco em Gaza

Folha de S. Paulo 9 de abril de 2010 JORGE ZAVERUCHA -------------------------------------------------------------------------------- Tudo indica que a decisão israelense de uso da força foi mensagem enviada ao Irã; o propósito da flotilha era criar embaraço a Israel -------------------------------------------------------------------------------- A Turquia já foi uma aliada de Israel. Tudo mudou com a eleição do primeiro-ministro Erdogan. Ele encontrou no conflito com Israel uma boa oportunidade para se tornar o líder sunita mais importante do mundo. Aos poucos, vai abandonando a tradicional democracia secular turca em busca de uma aproximação com o radicalismo islâmico. Patrocinou, juntamente com o Brasil, um acordo permitindo ao Irã ganhar tempo para a fabricação da bomba atômica. Erdogan prega o respeito aos direitos humanos, mas hospedou oficialmente os presidentes do Irã e do Sudão, acusado de genocídio em Darfur. Apoia a criação de um Estado palestino, mas reprime os c

Bolívia, cúmplice do narcotráfico

Por José Maria Nóbrega Jr. – Doutor em Ciência Política UFPE Nos últimos tempos os governos vem se preocupando em reduzir a criminalidade, controlar os homicídios e esgotar as forças do tráfico de drogas, um dos maiores combustíveis – se não o maior – da criminalidade e da violência. Os governantes se esforçam – como em Pernambuco, que vem tendo um papel importante no controle da criminalidade violenta; e em São Paulo, que vem reduzindo satisfatoriamente seus principais indicadores de violência, sobretudo os homicídios. Contudo, ninguém questiona de onde vem as drogas e, principalmente, como o crack avançou tanto nos últimos cinco anos. A resposta pode estar em nosso vizinho: a Bolívia. O governo de Evo Morales foi responsável pelo crescimento da produção da coca na América Latina nos últimos anos. De outro lado, o governo brasileiro – que tem muita proximidade com Morales - vem contribuindo para este crescimento. Financia via BNDES os caprichos do governante andino, que fornece de