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Mostrando postagens de Abril 25, 2010

Femicídio ou Homicídios entre Íntimos

Por José Maria Nóbrega Jr. Doutor em Ciência Política pela UFPE Os homicídios praticados contra a mulher é um dos fenômenos que vem recebendo atenção dos criminologistas e demais estudiosos do fenômeno da violência ou criminalidade violenta. Os homicídios como problema social vem tendo crescimento constante no Brasil, excluindo o Sudeste, nos últimos vinte anos (Nóbrega Jr., 2010). Mas, quando o foco é o femicídio, parece haver uma estabilidade maior nos números absolutos, com grupos mais vitimados – jovens entre 20 e 29 anos -, e pouco vitimados – mulheres dos 60 aos 69 anos (Soares et ali, 2007). Os tímidos estudos sobre os femicídios, ou homicídios entre íntimos , apontam para determinadas generalizações utilizando como ponto de partida a região Sudeste. Creio que a dinâmica dos femicídios no Nordeste tenha caminhos diferenciados e, dessa forma, a necessidade de estudos mais específicos nesta região do país. Soares et ali (2007) escreveu sobre a dinâmica dos homicídios femininos e

O MASSACRE DE BRASILEIROS

Publicado no Jornal O Globo, Professor Gláucio Soares Desde 1980 até 2008 mais de três milhões de brasileiros tiveram mortes violentas. O trânsito e os homicídios foram os grandes vilões, mas os suicídios, as quedas, os afogamentos etc. também contam. Em 2007, a população de Curitiba era de 1.828.092 pessoas; a de Florianópolis quatrocentas mil e Maceió 936 mil. A população somada dessas três capitais é da mesma ordem de grandeza que os mortos por causas externas desde 1980. A violência no Brasil arrasaria essas três capitais estaduais brasileiras, matando toda a população. As estimativas dos mortos em Hiroshima variam entre 90 mil e 166 mil e em Nagasaki entre 60 mil e 80 mil, incluindo os que morreram depois (somente a metade morreu na hora). Nossa violência matou tanta gente quanto quinze bombas atômicas em Hiroshima e outras quinze em Nagasaki. Todos os soldados americanos mortos em todas as guerras (inclusive a Guerra Civil) até janeiro de 2007 somaram pouco mais de um milhão

Mãe dorme no IML para esperar corpo de criança

TOTAL DESRESPEITO AO SER HUMANO, COM INSTITUIÇÕES FUNCIONANDO (SE É QUE FUNCIONAM) DESSA FORMA, CADA VEZ MAIS FICA DIFÍCIL AFIRMAR QUE O BRASIL É UMA DEMOCRACIA. » OPERAÇÃO-PADRÃO Publicado em 27.04.2010 A catadora de lixo Cláudia Marques está desde sexta-feira aguardando liberação do cadáver do filho. Ontem, os legistas decidiram manter movimento, que vem afetando famílias de vítimas da violência Gustavo Maia gmaia@jc.com.br “Só quero voltar para casa e enterrar meu filho”. A casa a que se refere a catadora de lixo Cláudia Maria Marques, 27 anos, está a cerca de 125 quilômetros do Recife, na zona rural de Palmares, Zona da Mata. O corpo do filho, Allyson José Marques, 10, morto na última sexta-feira, permanece desde então na sede do Instituto de Medicina Legal (IML), em Santo Amaro, área central do Recife. O drama da família de Allyson, que dorme no IML desde a madrugada de anteontem, por não ter dinheiro para ir e voltar de Palmares, e de outras famílias que aguardam liberação d

A militarização da segurança pública: um entrave para a democracia brasileira

Tive artigo publicado na Revista de Sociologia e Política da UFPR RESUMO A manutenção dos militares e o aumento de suas prerrogativas no âmbito da questão da segurança pública são critérios que limitam a autonomia civil nas áreas de gestão, planejamento e ações estratégicas em segurança. Esse legado autoritário na Constituição Federal e em algumas instituições do poder coercitivo, com destaque para o Ministério da Defesa e a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), faz que a democracia no Brasil não se consolide, pois o controle de civis em seus comandos é bastante frágil. Dessa forma, o objetivo deste trabalho é demonstrar que o processo de militarização da segurança pública limita a democracia brasileira. Mesmo depois de termos redemocratizado o país, em moldes procedurais submínimos, a questão da segurança interna permanece de forma bastante acentuada nas mãos dos verde oliva, o que gera falta de controle civil sobre os militares, atributo imprescindível para a consolidação da