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Mostrando postagens de Agosto 2, 2009

Os homicídios em Pernambuco ainda estão acima da média

Por José Maria Nóbrega Júnior - Cientista Político, doutorando pela UFPE, Professor da Faculdade Joaquim Nabuco nobrega.jr.ufpe@ gmail.com Desde 1998 os números absolutos de homicídios/mortes por agressão estão acima dos 4.100 por ano. Entre 1998 e 2008 a média desses números foi de 4.437 mortes anuais provocadas por agressão intencional (cf. tabela 1). TABELA 1. Mortes por agressão/homicídios em Pernambuco (1998-2008) Fonte: DATASUS e SDS-PE Observando o gráfico 1, que demonstra os números absolutos, a tendência é positiva, ou seja, de crescimento. A linha de tendência logarítmica aponta para essa perspectiva positiva de incremento nas mortes (R2=0,099), com baixa significância estatística. GRÁFICO 1. Números absolutos Mortes por agressão/homicídios em Pernambuco (1998-2008) Fonte: DATASUS e SDS-PE Como os números absolutos não demonstram o real impacto em relação à evolução populacional, o ideal é fazer a análise em cima das taxas de homicídios calculadas em relação à est

A queda da desigualdade de renda no Brasil e os homicídios na Região Nordeste

Artigo de José Maria Nóbrega para análise: Resumo de artigo recentemente publicado na Revista Espaço Acadêmico, Vol. 9, No 98 (2009) o presente artigo tem como proposta avaliar o impacto da desigualdade e da pobreza na violência homicida juvenil no nordeste brasileiro. Para isso testa algumas variáveis socioeconômicas que servem como proxy para desigualdade e pobreza em relação às taxas de homicídios de jovens entre 15 e 29 anos de idade do sexo masculino. O modelo de correlação mostra que há pouca significância entre os indicadores de GINI e renda domiciliar per capita em relação às taxas de homicídio juvenil para a região, sugerindo que desigualdade e pobreza não tem relação com a violência homicida. Texto Completo: PDF Revista Espaço Acadêmico - revista multidisciplinar -ISSN 1519-6186 (on-line) - Departamento de Ciências Sociais - Universidade Estadual de Maringá (UEM) - Av. Colombo, 5790 - Campus Universitário 87020-900 - Maringá/PR – Brasil - Email: aosilva@uem.br Disponív

Os porões do Araguaia

Gustavo Leal de Albuquerque Com o fim da ditadura militar em 1985 e a restauração dos direitos e garantias individuais e coletivos no Brasil, aflorou consequentemente uma enorme demanda reprimida por informações sobre os fatos históricos nascidos das fornadas do porão daquele regime de exceção. Contudo, dentre tantos arquivos importantes para o fechamento dessas lacunas do período de 21 anos, tomam destaque aqueles referentes à guerrilha do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) no Pará, conhecida como Guerrilha do Araguaia. Das pesquisas feitas até agora, em conjunto com uma série de desnudamentos dos fatos realizados por militares conscientes do seu papel na história do país, depreende-se que o Exército Brasileiro foi o responsável pela repressão à guerrilha. Praticamente, tudo que aconteceu durante a “Campanha do Araguaia” já foi descrito em livros, artigos e entrevistas, porém, a constituição de direitos depende de atos oficiais inerentes ao Estado, como por exemplo, o reconhecime

Pesquisa mostra excesso em processos por tráfico

Levantamento encomendado pelo Ministério da Justiça revela que maior parte das condenações por tráfico de drogas no País é de réus primários, desarmados e sem ligação com organizações criminosas SÃO PAULO – Com o intuito de cobrar mudanças na Lei Antidrogas, de 2006, pesquisa divulgada ontem traça as circunstâncias das condenações por tráfico de entorpecentes no País e mostra que o perfil desses presos – o segundo contingente carcerário do Brasil – é diferente do senso comum. A maior parte é de réus primários, com bons antecedentes, que não participava de organizações criminosas e não portava armas no momento do flagrante policial. Encomendado pelo Ministério da Justiça (MJ) à Universidade de Brasília (UnB) e à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o mapeamento, que foi realizado nas varas criminais do Rio e do Distrito Federal, também mostra que 70% dos processados por tráfico no DF e 50% no no Rio estavam com menos de 100 gramas de maconha. “Colocamos na cadeia, no Brasil

Entrevista com o Senador Pedro Simon | 05 agosto 2009

Brasil, uma semidemocracia Onde começou sua desavença com o presidente Sarney? Quando fui contra a candidatura dele à Vice-Presidência da República. O Tancredo Neves estava no quarto do hospital de Base, em 14 de março de 1985 (um dia antes da posse), perguntamos o que fazer ao dr. Ulysses Guimarães. E chegou o general Leônidas (ministro do Exército, levado por Sarney). O general disse que Sarney deveria assumir. Eu comecei a falar e dr. Ulysses não deixou eu falar e confirmou o Sarney. Aí foram embora Sarney e o general. Nós ficamos no quarto, e dr. Ulysses disse que estava tudo preparado há meses e que o general Leônidas estava comandando tudo. E o Sarney assumiu. O senhor disse que foi um golpe. Sim, um golpe, claro que foi. Deu golpe e virou presidente. E nós calamos a boca. O Tancredo não tinha assumido, não era presidente. Quem tinha de assumir era o presidente Congresso.

Democracia totalitária

Denis Lerrer Rosenfield Hugo Chávez persegue opositores, fecha canais de televisão e estações de rádio, legisla por decretos, vende armas às Farc, não respeita a soberania da Colômbia, submete o Poder Judiciário, obriga seus militares a jurarem "pátria, socialismo ou morte", relativiza e mesmo abole o direito de propriedade e nada, entretanto, ocorre com ele. Nenhuma manifestação da Organização dos Estados Americanos (OEA), da Assembleia das Nações Unidas, da diplomacia brasileira, etc. É como se não houvesse nenhum atentado à democracia. Ao contrário, sustentam que a democracia está sendo seguida naquele país. Nenhum país pede que seus embaixadores se retirem nem há corte de ajuda e/ou relações bilaterais. O déspota Chávez torna-se um "democrata". Enquanto isso, em Honduras, as instituições do país, por intermédio do Supremo Tribunal, do Congresso, das Forças Armadas, com apoio explícito da Igreja Católica, dos meios de comunicação e da sociedade civil em geral,