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Mostrando postagens de Julho 11, 2010

Rational Choice e o Jogo do Poder

Quando a regra do jogo é informal, o vale tudo para desgastar a imagem do adversário passa a ser prática corriqueira do jogo político, ou jogo do poder. As instituições não fazem valer as regras formais e ninguém é punido, e o cálculo estratégico do ator político passa a ser: O CRIME COMPENSA! Abaixo artigo de Eliane Catanhêde, da Folha de São Paulo. fsp 16 julho 2010 ELIANE CANTANHÊDE O crime compensa? BRASÍLIA - Quando o secretário da Receita Federal declara em depoimento no Senado que servidores do órgão acessaram "cinco ou seis vezes" as declarações do Imposto de Renda do vice-presidente de um partido de oposição, isso é verdadeiramente um escândalo. Além de jogo sujo, um crime. Dados bancários e fiscais são protegidos por leis e quebrar esse sigilo sem autorização judicial é crime. Logo, os servidores que fizeram isso são criminosos. E não adianta só os chamar de "aloprados". Isso é pouco, quase condescendência. A suspeita é que estavam mancomunados com o

Virtude ou Fortuna: qual a mais importante?

Por José Maria Nóbrega, doutor em Ciência Política (UFPE) e Professor da Faculdade Maurício de Nassau (josemarianobrega.blogspot.com) Às vésperas das eleições um fato me chamou atenção: o constrangimento dos candidatos majoritários em serem ricos. Ou seja, ser rico é sinônimo de “explorador”, de quem tem vida boa e por isso não sabe o que um pobre necessita e sente. Coisas do tipo. Como se tendo atestado de pobreza o condicionasse a ser um bom gestor público! Que cultura é essa que enxerga na riqueza um caráter de desqualificação política? Isto é típico de países com cultura ibérica e católica que enxergam negativamente o acúmulo econômico adquirido pelo trabalho e pela atividade financeira. Já a cultura de países como os Estados Unidos e a Inglaterra a riqueza individual – exemplificada no self-made man rockefelleriano – é vista de forma positiva e até elogiável. Sérgio Xavier, candidato a governador pelo Partido Verde, divulgou seu patrimônio ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) se

Há relação dos Grupos de Extermínio com os homicídios em Pernambuco?

Por José Maria Nóbrega Jr. – Doutor em Ciência Política (UFPE), Pesquisador do NICC-UFPE e Professor da Faculdade Maurício de Nassau A ausência do estado como monopólio legítimo da violência pode ser colocada como a causa fundamental para o surgimento de atores políticos/sociais que ocupam essa lacuna. Nas comunidades mais pobres do Recife é comum a presença de grupos que fazem às vezes do estado na segurança. A chamada “turma do apito” ou milicianos que, para garantir uma pseudo-segurança à população, promovem uma série de ilegalidades incluindo aí o extermínio de pessoas “indesejáveis” aquela comunidade ou devedoras de empresários, comerciantes e traficantes de drogas. Os grupos de extermínio em Pernambuco surgem dentro desse contexto. Na verdade o extermínio não é a atividade fim dos grupos criminosos, mas sim uma atividade que faz parte do grupo. O crime organizado endógeno – aquele que nasce de dentro do estado (Oliveira, 2007) -, tem características assimétricas, pois há partic