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Elites políticas e consolidação democrática

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José Maria Pereira da Nóbrega Júnior – Cientista Político, Professor Adjunto IV da UFCG.
A democracia procedimental, ou democracia eleitoral, é definida como um regime político no qual permite a formulação gratuita de preferências políticas, através do uso de liberdades básicas de associação, informação e comunicação, com a finalidade de livre concorrência entre líderes para validar, a intervalos regulares, de forma não-violenta, sua reivindicação a cargos eleitorais. Os teóricos da transição democrática, meio que esquecidos pelos teóricos contemporâneos da democracia e pelos analistas políticos, foram muito felizes quando afirmaram, em seus debates sobre consolidação democrática, a importância das elites políticas no processo de transição das ditaduras para as democracias e posterior consolidação do regime político democrático.
Esses teóricos, citando obras clássicas das variantes contemporâneas da democracia, perceberam que, muito mais importante que a participação popular no processo…

Determinantes da violência no Nordeste IV

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José Maria Pereira da Nóbrega Júnior - Professor Adjunto IV da UFCG, Doutor em Ciência Política pela UFPE.



A discussão sobre armas e crime está na ordem do dia. Há uma vasta literatura que trata do tema defendendo a tese na qual onde há menos armas, menos crimes são perpetrados, sobretudo contra a vida. Do outro lado, e em menor proporção, há autores que defendem a tese na qual, não necessariamente, onde há mais armas de fogo disponível, existirão mais vítimas. Nessas poucas linhas, objetivo analisar estatisticamente a validade da Lei Federal 10.826/2003 – conhecida como Estatuto do Desarmamento (ED) – no que tange a sua eficácia no controle e/ou redução da violência homicida, com foco específico nos estados da região Nordeste.
O intuito aqui é avaliar o impacto do ED nos seus resultados pretendidos. Utilizei como proxy para medir o efeito dissuasivo desta lei as apreensões efetuadas pela polícia por porte/posse ilegal de armas de fogo. Busco medir o nível de correlação entre o disposi…

Os determinantes da violência no Nordeste III

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Drogas potencializam os homicídios no Nordeste: testando a hipótese

José Maria Pereira da Nóbrega Júnior - Professor Adjunto IV da UFCG, Doutor em Ciência Política pela UFPE.
Lendo muitos artigos acadêmicos e na imprensa o leitor chega à conclusão na qual os homicídios como Proxy da violência tem relação direta de causa e efeito com o consumo e o tráfico de drogas. É só exterminar o tráfico e consumo de entorpecentes que os homicídios cessarão. Partindo desta hipótese, vamos avaliar se há correlação entre Drogas – medida pelas apreensões por tráfico efetuadas pela polícia – e homicídios – medidos pelos números absolutos de mortes por agressão (SIM/DATASUS), ambos para os nove estados da região Nordeste. E se esta correlação é suficiente para validar a hipótese em tela.

Tabela 01. Dados homicídios 2000/2015 NORDESTE BRASILEIRO Unidades 2000 2014 2015* VAR % 00-15 VAR %14-15 nordeste 9.245 23.408 22.853 147,19% -2,37% Maranhão