Mortes Violentas Intencionais no Brasil (2017-2024): uma tendência de queda



As mortes violentas intencionais correspondem aos homicídios dolosos, as mortes decorrentes de intervenção policial, as mortes de policiais militares e civis, as mortes resultado de agressão dolosa e aos latrocínios. A tendência de redução das mortes violentas intencionais no Brasil observada entre 2017 e 2024 reforça e atualiza os achados encontrados em uma publicação de minha autoria no Boletim do IBCcrim (referência no final deste texto), que analisou a dinâmica da violência letal intencional no Brasil no período de 2011 a 2023. Conforme argumentado naquele estudo, a queda observada a partir, sobretudo, de 2018 não pode ser compreendida como um movimento linear ou exclusivamente decorrentes de ações dos governos em suas políticas de segurança pública, mas sim como resultado da combinação de fatores estruturais, institucionais e conjunturais.
A utilização da série histórica até 2024 (ano de dados consolidados de 2025 ainda não está totalmente trabalhado) confirma essa interpretação. Entre 2017 e 2024, o número de mortes violentas intencionais caiu de 64.079 para 44.127, o que representa uma redução acumulada de aproximadamente 31,1%. Tal movimento dá continuidade à tendência descendente (CF. Gráfico abaixo) destacada por Nóbrega Jr. (2025), ainda que com oscilações relevantes, como a inflexão observada em 2020, amplamente associada aos efeitos desorganizadores da pandemia da Covid-19 sobre as dinâmicas sociais e criminais.


Em consonância com o argumento desenvolvido em Nóbrega Jr. (2025), a retomada da queda em 2021 sugere que a violência letal no Brasil passou a operar em um novo patamar estrutural, inferior ao observado no início da série. Esse comportamento reforça a hipótese de que mudanças nas dinâmicas do crime organizado, na atuação das polícias estaduais e na configuração demográfica produziram efeitos mais duradouros do que explicações baseadas exclusivamente em ciclos econômicos ou intervenções federais pontuais.
A linha de tendência no gráfico (regressão estimada em mínimos quadrados, em vermelho) confirma empiricamente o argumento central presente em Nóbrega Jr.  (2025): apesar das oscilações anuais, a trajetória de médio prazo é claramente descendente, sugerindo a consolidação de um novo patamar estrutural da violência letal no Brasil.

Assim, a incorporação dos dados de 2024 não altera o diagnóstico central apresentado em Nóbrega Jr. (2025), mas o fortalece empiricamente, ao demonstrar que a tendência de  queda das mortes violentas intencionais mantém resiliência mesmo diante de choques exógenos significativos. O desafio analítico, portanto, desloca-se da constatação da redução para a compreensão de sua sustentabilidade no médio e longo prazo, bem como de suas profundas desigualdades territoriais.
Na figura 1, temos as variações percentuais ano a ano. Verificamos queda acumulada de 31,1%, como já dito, e com variações com sinais negativos na maioria dos casos, salvo a variação 2019/2020 que apresentou 5,19% de aumento. O destaque foi na variação 2018/2019 com queda de 17,06%.
No que diz respeito aos números absolutos na série histórica da tabela 1, temos:

  1. Soma total = 406.383
  2. Média anual = 50.797 
  3. Mediana = 48.124,5
  4. Desvio padrão = 6.664,2
  5. Máxima = 64.079 (2017)
  6. Mínima =  44.127 (2024)
A soma total de 406.383 mortes violentas intencionais no período evidencia a magnitude acumulada da violência letal, mesmo em um contexto de tendência descendente. A média superior a mediana indica assimetria à direita, puxada pelos valores mais elevados no início da série. O desvio padrão relativamente alto reflete a forte variação inter temporal, coerente com a queda estrutural observada após 2017. A distância entre o valor máximo (2017) e o mínimo (2024) reforça a hipótese de mudança de patamar.

Na figura 2, temos as descrições dos dados com a média de queda -4,96%, a mediana de -3,90%, o desvio padrão 7,05%, máxima de 5,19% e mínima de -17,06%. A média negativa confirma tendência geral de queda. A mediana próxima de -5% indica que reduções moderadas são comportamentos típico do período. O desvio padrão elevado reflete a volatilidade associada a choques conjunturais, sobretudo em 2019 (queda acentuada) e 2020 (crescimento). A variação máxima positiva ocorre apenas em 2020 reforçando seu  caráter excepcional.
É importante destacar que o presente texto não teve a intenção de explicar as causas dessa tendência de queda nos números da violência letal intencional no Brasil, mas de fazer um diagnóstico geral da dinâmica estatística desses dados e corroborar para um debate mais profundo sobre as ações dos governos e o controle da criminalidade organizada que apresenta outro patamar evolutivo.


* Texto produzido com auxílio da Inteligência Artificial.

REFERÊNCIA

NÓBREGA JR., JMP da. Violência no Brasil (2011-2023). Boletim IBCCrim, v. 33, n. 380, 2025, pp.29-34.ttps://publicacoes.ibccrim.org.br/index.php/boletim_1993/article/view/1592

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